quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sig

 I - cidade baixa

a rua era coberta por pedras negras grandes, que se completavam num manto escorregadio e sujo. já não aguentava ficar de pé a noite toda, me doíam os pés pelos saltos e as articulações pelo frio, parecia-me que a cada ano o inverno se intensificava. as roupas muito curtas e apertadas me incomodavam a pele profundamente, e os toques, as palavras, já não me faziam sorrir mais, nem me davam prazer. nada era como antes, estava ficando velha e rancorosa. os bueiros pareciam as chaminés, me deitava na sarjeta e me deixava ficar ao frio, hora ou outra alguém me acendia o cigarro e eu fumava um após o outro. havia conforto no vinho aquecido que os mendigos partilhavam, tudo era cinzento e cheirava mal. um banho por dia não era o suficiente, mas era o que eu podia pagar. o que era engraçado, charmoso e revigorante se tornara um fardo difícil demais para carregar.


acolheu-me quando eu me sentia só e vulnerável. as ruas do baixio fediam como e não me apercebia de nada. quando estamos atolados na merda nos tornamos parte dela



II - o batismo de renascimento




III - as confissões no escuro



IV - o jogo de damas



V - a pedra azul


VI - o diário com a capa de prata


VII - a residência transitória

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